É, senhores. Eu não podia deixar o caso Geisy escapar impune. Nem vou me ater ao fato de, como sempre, a mídia tê-la transformado em mártir ou, na pior das hipóteses, faltou pauta mesmo. Aproveito o mote para falar sobre o tema que nunca morre: machismo.
Quando toco no assunto nos bares
da vida, escuto absurdos de tudo, pode crer. Inclusive, pasmem, DE
MULHERES. Mulheres machistas criam homens machistas. Mas pior que ser machista
é apontar o dedo sujo para Madalenas arrependidas. Quem nunca usou um
vestido rosa, feio e curto, afinal de contas?
E agora até a Playboy quer a moça, oi?
Eu tenho um lado machista que guardo a sete chaves,
ninguém precisa saber disso. Mas não sou dada a julgamentos. A periquita é da
menina e ela dá pra quem quiser, oras. O que djabos eu tenho a ver com isso? Eu
sou a favor apenas do bom senso. Você pode ter seus PAs, seus rolinhos coisa e
tal, não precisa transar com o Maracanã, né? Especialmente em dia de jogo do
Flamengo. Também não precisa dá pro cara numa árvore, em plena luz do dia. Brincadeira.
Mas é basicamente isso, defendo bom senso, ladies. Não castidade que ninguém é
de ferro. Aí escutei certo dia, numa conversa entre amigos:
‘A confusão
foi o seguinte: Ela já devia ser vagabunda, mas por causa do vestido, só agora
repercutiu’
Este absurdo foi proliferado por um jovem até
interessante, cheio de ambições políticas, mas comassim ‘por causa do vestido’?
Deviam chamar então, a Glória Kalil e não a polícia. E se o ganha-pão dela
fosse mesmo a prostituição? É mesmo motivo pra que a moça seja praticamente
linchada/estuprada em praça pública? Não seria melhor, então, puxá-la pelos
cabelos e arrastá-la à pré-história, seus bugres?
Ao invés de fogueira, uma burka para Geisy!
Abro
Parêntese
Neste fim de semana ouvi o seguinte pronunciamento:
‘As mulheres
não lutaram por direitos iguais? Pois então, que rachem a conta com o rapaz.
Reclamar do contrário é feminismo de conveniência’
Alto lá!! Eu não lutei por porcaria nenhuma, quando
cheguei, o mundo já estava esta bagunça.
Por mim, eu nem estudava ou trabalhava, meu amigo.
Por mim, enquanto meu marido trabalhasse pra me trazer diamantes, eu tava só em
casa cozinhando, com a barriga no fogão, fazendo minhas unhas e a maior
preocupação seria o péssimo sexo oral do maridão a nota baixa do meu
filho caçula. Pra quê ser inteligente, bem-resolvida e continuar fazendo tudo
isso? Viramos umas camélias modernas. Que lavam, passam, cozinham, cuidam de
filhos e marido, mas sim, ainda trabalham fora.
Aí me pergunto do cara que aceita a mulher rachar a
conta. Ok, nada demais. Porém, ao chegar em casa, ele quer que ela lave, passe,
cozinhe, costure as meias dele e não use decotes na rua. Sair sozinha com as
amigas? Nem pensar. Também não é machismo de conveniência? E destes, tem aos
montes que eu já vi com estes olhos que a terra não há de comer.
Fecho
parêntese
Há ainda uma segunda pérola do caso Geisy:
‘Ela
provocou’
A velha artimanha de virar o jogo. Tão típica de
homens cínicos. Transformar a vítima em algoz. Pelo amor de Deus... quer dizer
que se eu saio de casa com um decote e uma saia curta, é pedir para ser
estuprada? Ok, o máximo que deveria acontecer, é eu ser confundida com a rainha
de bateria de alguma escola de samba. E sim, até ser vista com maus olhos
porque bom senso se deve até em vestimentas, afinal. Mas JAMAIS transformar
minha atitude num aval. Numa permissão que eu não dei.
Tem gente que é vulgar vestida da cabeça aos pés. E
tem gente que tem bons modos, mas é mal vestida. Jamais pensei que fosse dizer
isso, mas quer um exemplo claro? A playboy da Flávia Alessandra. Mesmo
com-ple-ta-men-te despida, não vi um resquício de vulgaridade nas fotos da
atriz. Poucas mulheres pousam para uma revista masculina com tamanha elegância
e tenho dito.
Baaaaba baby, baby baba!!
Então meu caro, assim como não é a companhia que
diz quem és tu, o figurino também não diz sobre o caráter do alfaiate. Fosse
assim, nas palavras do meu falecido avô, ‘mulher de tatuagem é puta e homem de
brinco é viado’.
E viva o estereótipo! - O grande ônus do machismo
pós-moderno.
Leia Também:

















